Molécula melhorada em laboratório é protegida por camuflagem para fazer tarefa que organismo doente não executa

Segundo pesquisadores, os bons resultados alcançados com camundongos permitem que, numa próxima etapa, os testes sejam aplicados em humanos

Álvaro Caropreso

Pesquisadores da empresa Moderna Therapeutics, de Cambridge, Massachusetts (EUA), obtiveram sucesso com a utilização, em camundongos, de técnica para a injeção de moléculas de RNA mensageiro (mRNA) melhoradas quimicamente. O objetivo da pesquisa é que as mRNA adaptadas cumpram tarefas não realizadas pelas moléculas nativas do organismo, sem que o sistema imunológico as interprete como invasoras e, portanto, não as destrua.

Os pesquisadores desenvolveram uma espécie de cápsula química que funciona como camuflagem para impedir que o sistema imunológico reconheça como invasoras as moléculas de mRNA melhoradas injetadas no organismo.

Os camundongos dos testes apresentam deficiência na produção de uma enzima chamada metilmalonil-CoA mutase (MUT), produzida principalmente no fígado, que participa da quebra de proteínas e gorduras fornecidas pelos alimentos. O mRNA nativo dos animais não é capaz de comandar a produção de uma proteína essencial para a constituição da MUT.

A deficiência dessa enzima, doença metabólica chamada acidemia metilmalônica (MMA), resulta no acúmulo de ácido metilmalônico no sangue, o que pode causar fraqueza e desaceleração do desenvolvimento em crianças, danos severos nos rins e fígado, convulsões e acidentes vasculares cerebrais.

De acordo com artigo dos pesquisadores, publicano em fevereiro passado na edição on-line da revista Cell Reports, os bons resultados com camundongos permitem que se façam testes também em humanos.


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