O drama dos trabalhadores imigrantes norte-coreanos na Rússia

Restaurante Koryo, em Moscou (Imagem: BBC) Restaurante Koryo, em Moscou (Imagem: BBC)

Com as sanções impostas à Coreia do Norte, a grande maioria teve que retornar a seu país. Entre os que permaneceram, mais de 85% estão empregados na construção civil e recebem, em média, 40% a menos que os russos

Carlos Assunção

Em abril passado, Kim Jong-un, líder norte-coreano, e Vladimir Putin, presidente russo, reuniram em Vladivostok para debater a desnuclearização da Península Coreana. O encontro foi visto como sinal de uma possível reaproximação dentre os dois países, em meio à estagnação das negociações entre Coreia do Norte e EUA.
A possibilidade de avanço nesse campo pode resultar no afrouxamento das sanções econômicas impostas aos norte-coreanos, que repercute diretamente sobre a economia e, por extensão, sobre as condições de vida do país. Mas, além disso, as penalidades afetam trabalhadores norte-coreanos que vivem como imigrantes na Rússia. Isso porque sanção imposta pela Organização das Nações Unidas (ONU) exigiu o retorno deles à Coreia do Norte. De acordo com o Conselho de Segurança da ONU, esses trabalhadores vivem em situação extremamente precária e têm os rendimentos de sua mão de obra direcionados para o governo.
A presença de alguns desses norte-coreanos foi flagrada pela jornalista Anastasia Napalkova, da rede britânica BBC, no mês passado. Ela visitou o restaurante Koryo, “escondido no pátio de um shopping não muito distante do centro” de Moscou. “Com uma equipe totalmente formada por norte-coreanos, o estabelecimento oferece aos comensais aventureiros um gostinho de Pyongyang. Há música norte-coreana tocando na TV, e kimchi e macarrão frio sendo servidos”.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia informa que há aproximadamente 8 mil imigrantes norte-coreanos empregados em toda a Rússia – há dois anos, eram mais de 40 mil. “A maioria foi forçada a sair para que a Rússia cumpra as sanções da ONU, impostas em setembro de 2017 em retaliação a testes com mísseis”, explica Anastasia.
O Ministério do Trabalho russo informou que os únicos norte-coreanos que puderam trabalhar no país desde então foram aqueles cujos contratos foram assinados antes dessa data. Mais de 85% estão empregados no setor de construção civil – os demais trabalham na indústria têxtil, na agricultura, na extração de madeira e em serviços de alimentação. Os norte-coreanos recebem, em média, 415 dólares mensais, 40% menos que o salário médio da Rússia.
Em 2018, 40% de todas as licenças concedidas a empresas para empregar norte-coreanos foram originadas nas regiões de Moscou e São Petersburgo. Os maiores empregadores são empresas de propriedade norte-coreana, a maioria de propriedade de empresários privados.


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