Surdez hereditária é tratada com CRISPR-Cas9 em células dentro do ouvido

Gao et al./Nature Gao et al./Nature

Experimento foi relatado por cientistas chineses e americanos em artigo publicado na revista Nature

Álvaro Caropreso

A técnica de edição de DNA chamada CRISPR-Cas9 já é executada diretamente em animais vivos – no caso, camundongos. O objetivo do experimento foi a substituição de um gene (Tmc1) cuja mutação é associada a cerca de 50% dos casos de surdez hereditária em humanos. Até recentemente, a técnica CRISPR-Cas9 era experimentada em células que são retiradas do organismo vivo para a troca em laboratório do gene defeituoso e, depois, devolvidas.

Os pesquisadores – chineses e americanos – encapsularam as ferramentas para a execução da CRISPR-Cas9 (proteína e RNA) em moléculas gordurosas (lipídios) capazes de cruzar as membranas das chamadas células ciliadas, que sentem as vibrações acústicas no ouvido interno, e editar o DNA dentro delas.

O motor dos lipídios transportadores é um excedente de carga elétrica (polaridade) positiva imposto para que sejam atraídos e guiados pelas moléculas das membranas dotadas de polaridade oposta (negativa).

Após oito semanas, as células ciliadas dos camundongos tratados se assemelhavam às de animais saudáveis, enquanto as dos camundongos não tratados permaneceram danificadas e escassas (imagem acima)

O avanço científico foi relatado em artigo dos pesquisadores publicado pelo site da revista britânica Nature em fevereiro deste ano.


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