CIÊNCIA&TECNOLOGIA – “Arqueologia galáctica” entra em nova era com dados do telescópio Gaia

26/04/2018

A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou nesta quarta-feira o segundo lote de dados obtidos pelo seu telescópio espacial Gaia de rastreamento de precisão da posição, do brilho e da cor de cerca de 1,7 bilhão de estrelas da Via Láctea, o qual poderá ser comparado ao primeiro lote divulgado em 2016 para, juntos, compor um mapa em três dimensões que permitirá, entre outras coisas, calibrar o padrão de distâncias astronômicas e fazer um “filme” que simula parte da história do desenvolvimento da galáxia

    • lançado em 2013, o Gaia não pode mapear 100% da Via Láctea, pois parte dela está obscurecida por gases e poeira
    • este segundo lote de dados, no entanto, dará uma visão muito mais precisa sobre sobre a evolução da nossa galáxia o que, por consequência, vai melhorar o entendimento também sobre as outras espalhadas pelo Universo
    • como na sequência de fotos de um filme que, vistas uma em seguida da outra, formam a imagem em movimento percebida pelos olhos, os dados do Gaia permitirão visualizar o movimento geral da Via Láctea e simular o modo como ela se modificou no tempo, inaugurando uma nova “arqueologia galáctica”, conforme comenta a revista Science
    • as observações da cor das estrelas vão melhorar o que se sabe sobre suas composições químicas, tamanhos e tipos, o que permitirá identificar ou confirmar “berçários” onde nasceram e saber como os elementos químicos produzidos pelas reações nucleares no interior desses astros se espalharam ao longo do tempo
    • além das estrelas, os dados trazem também informações novas e 100 vezes mais precisas sobre cerca de 14 mil asteroides, uma fração dos mais de 750 mil pequenos corpos conhecidos no sistema solar
    • em escala cosmológica, os dados permitirão calibrar os padrões de medida de distância astronômica definidos a partir do brilho de estrelas bem conhecidas, o que dará mais precisão às medições da constante de Hubbe, a taxa de expansão do Universo
    • a precisão do “filme” produzido pelo Gaia aumentará com a comparação de mais lotes de dados obtidos a cada 22 meses de observação (o próximo está previsto para ser divulgado em 2020)
    • com o aumento da precisão, espera-se também saber se os diferentes posicionamentos de uma mesma estrela são devidos ao movimento geral da galáxia ou à ação de “rebocadores gravitacionais” em órbita, como um grande planeta como Júpiter, que apesar de ter massa muito menor do que a do Sol, tem o suficiente para produzir perturbações gravitacionais perceptíveis no posicionamento da nossa estrela
    • a profusão de dados porvir tem levado os astrônomos a investir tempo e neurônios na produção de algoritmos para peneirar e analisar as informações e apontar novos veios de pesquisa ou confirmar hipóteses na fila de novas descobertas
    • uma delas é a sugerida pela imagem abaixo, da Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia vizinha da Via Láctea, que pode ser mais massiva do que se imaginava anteriormente (a imagem não é uma foto, mas um mapa da densidade de estrelas indicada em cada pixel)

 

  • Imagem de abertura de Gaia Data Processing and Analysis Consortium (DPAC); A. Moitinho/A. F. Silva/M. Barros/C. Barata, Universidade de Lisboa, Portugal; H. Savietto, Fork Research, Portugal

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